
Ela era assim, meio destemida. Ela era poderosa, mas não era uma fortaleza assim como pensavam. Ela era decidida, mas não era dona da verdade. Ela sabia o que queria, mas não poderia querer pelos outros. Os que não a compreendiam diziam que ela era auto-suficiente. O quê? Até Jesus precisou de 12 apóstolos, como seria Ela, uma simples formiga, tão auto-suficiente? Mal sabiam como precisava de chão, como precisava de Sim, e de Não. Como precisava sentir, e perceber claramente o que sentiam... Ilusão, concluia Ela. Mal se sabe sobre si, como poderiam ser cristalinos... com Ela?
O Trovador dos Bandolins a justificaria assim:
"Madrepérola de cor, a teimosia tá no ar. Signo da terra da percussão, a dúvida não tem lugar"
Ela era eu, e eu era Ela. E, em sendo eu, aqui sozinha, mal podia me saber sendo Ela.
Essa escrita não quer ser pista de enigmas. Essa escrita só quer ser pista pro teu avião. E não é só pra aterrissagem acolhedora. Mas é também pro lançamento aos céus, ao espaço que é todo teu, estrela terrestre, estrela ascendente, lente vermelha do meu olhar sentido pela audição das tuas inúmeras palavras.
Estive aqui, com Ela. E Ela era eu, e eu era Ela. Todas as duas loiras, de tão amarelas.
E eram tantos os desencontros... Talvez porque os encontros se tornassem crashes no meio celeste. Talvez porque os controladores de vôo estivessem em greve desde os acidentes que paralisaram os aeroportos desse Brasil confuso. Talvez porque o "talvez" fosse mais provável que o Sim. Talvez porque o "talvez" pousasse mais fácil que o Não. Esse sim, era mesmo em verdade, nada destemido.
Mas era, pra mim e pra Ela, o mais turbulento e tremido. E de dor.
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