O Ambiente externo muito me influencia... É, começo logo teorizando, mesmo. Neste quarto de hotel não há nenhuma lembrança do passado que me cause dispersão ou dor. Tudo aqui é novo e impessoal. Tenho poucas coisas comigo, bagagem só para três dias. Está tudo no seu devido lugar. Costumo desfazer sempre as malas aproveitando todos os espaços dos armários e das gavetas. Estabeleço os novos lugares para os pertences antigos. O quarto está arrumado. É confortável. Tem fogão elétrico, trouxe meu computador e net. Minha cama é de casal e é cheia de edredons e travesseiros muito macios. Tem forno de micro-ondas, Tv e trouxe Tb meu DVD portátil. Uso um pijaminha novo comprado na Hering, 100% algodão.Passei o dia com comidas leves, vi minha mãe hospitalizada que está se recuperando bem de uma anemia rara. Seus leucócitos travam guerra com suas próprias hemácias. Literalmente, uma guerra interna.
Terminei o dia fazendo hidro na piscina aquecida do décimo sétimo andar. Ao meu lado,meia garrafa de um vinho argentino, e nada de cigarros. Não fumo há um bom tempo. Bebo devagar, desfrutando mesmo o sabor.
Como assim tanta tranqüilidade? Começo a ficar aflita com o que isso possa significar. Porque não tenho essa paz em casa, se moro com meu afilhado querido e minha amada mãe preta?O clima é tão leve... Moro bem, espaçoso. Muito conforto... Começo a pensar que tenho coisas demais em volta de mim em casa. Recordações demais. Nem tudo deve estar tão disponível assim para atiçar a memória. Não é só isso... Matéria atrai matéria. Pensamento é pré-matéria. Talvez por isso meu pensamento seja tão imado para fora do papel diante de tanto passado impresso nos objetos que compõem a minha vida, o meu ninho.
Quando me mudar de casa, vou levar o mínimo. Curioso... Acabei de me lembrar que levei do quarto do hospital onde minha mãe está internada, o DVD de São Francisco de Assis. Franciscaníssimo, esse pensamento despojado.
Ela é devota à vida dos Santos. Mammita é a pessoa mais bondosa e coração puro que já conheci. Tenho verdadeiramente muito amor por ela. Acho que tudo o que eu faço é pra ela, é ela minha melhor platéia. A mais vibrante e entusiasmada.
Estava na dúvida sobre qual filme assistiria ao chegar aqui. Tenho mais de dez na fila. Mas no meu caminho não sou o motorista. Para uns pode ser Deus, para outros essa minha mania de criar mágica com as possíveis associações que me acontecem, transformando sempre a vida num filme. Podem ser os anjos, podem ser até a poesia e suas musas. O fato é que: é assim que é.
Até o silêncio desse quarto com o chiadinho do ar-condicionado me embala. Olho mais uma vez ao meu redor, penso em quem já esteve nesse quarto 204, no que já aconteceu por aqui. Não consigo fazer a menor idéia do que realmente pode ter se dado entre essas quatro paredes.
Mas poderia supor que aqui muitas pessoas passaram para visitar seus entes queridos hospitalizados. Aqui é um passo da Beneficência Portuguesa. Mas não sinto aflição no ar. Talvez aqui as pessoas tenham se dado conta que seus adoentados são de fato amados. Talvez tenham se dado conta do que realmente importa.
Quero terminar meus dias com as expressões faciais de sabedoria do ator Morgan Freeman. Ele faz parecer que tudo na vida é tão pequeno para se perder tanta energia. Ele dá a impressão de ver as coisas como um deus bem humorado veria. Talvez por isso tenha sido escalado para fazer o próprio. Curiosamente, checando a grafia do seu nome no Google, acabo de saber que ele foi hospitalizado por causa de acidente. Coincidência de novo... Tantos hospitalizados e eu aqui me sintindo também como se tivesse hospitalizada, me recuperando da minha relação com a escrita.
Talvez precise apenas de repouso e um pouco de paz. De amor também, que é o mais difícil. Sim, artigo raro e que depende de muita sofisticação para que aconteça. Apaixonar, todo mundo se apaixona. Criar dependência emocional, todo mundo cria. Mas é preciso desenvolvimento espiritual e maturidade emocional para ver realmente o ser amado e não se criar projeções. É preciso ter se exercitado na generosidade, e principalmente no desapego. Também é preciso saber-se bem da responsabilidade sobre a emoção e bem estar do outro. Drummond já dizia que amor é sentimento de maduros. E como é poderoso. Sorte quem tem alguém que ame assim do seu lado. É garantia de uma vida estável, cheia de conquistas. Trocaria por qualquer tesouro tudo o que descrevi e que muitos consideram nobreza demais, sonhos fora da realidade. Não acho não. Já vi muito disso em outros países onde a educação faz criar esses valores. Enquanto isso, vou aqui levando a vida com alegrias, conquistas penosas e dor. Muita...não é pouca não. Daí eu me lembro do G. kelly singing dancing in the rain, ou do MJ cantando Smile. Pouca coisa muda, mas fico apenas torcendo que se está assim, é porque o fim do filme não está perto.
Como assim tanta tranqüilidade? Começo a ficar aflita com o que isso possa significar. Porque não tenho essa paz em casa, se moro com meu afilhado querido e minha amada mãe preta?O clima é tão leve... Moro bem, espaçoso. Muito conforto... Começo a pensar que tenho coisas demais em volta de mim em casa. Recordações demais. Nem tudo deve estar tão disponível assim para atiçar a memória. Não é só isso... Matéria atrai matéria. Pensamento é pré-matéria. Talvez por isso meu pensamento seja tão imado para fora do papel diante de tanto passado impresso nos objetos que compõem a minha vida, o meu ninho.
Quando me mudar de casa, vou levar o mínimo. Curioso... Acabei de me lembrar que levei do quarto do hospital onde minha mãe está internada, o DVD de São Francisco de Assis. Franciscaníssimo, esse pensamento despojado.
Ela é devota à vida dos Santos. Mammita é a pessoa mais bondosa e coração puro que já conheci. Tenho verdadeiramente muito amor por ela. Acho que tudo o que eu faço é pra ela, é ela minha melhor platéia. A mais vibrante e entusiasmada.
Estava na dúvida sobre qual filme assistiria ao chegar aqui. Tenho mais de dez na fila. Mas no meu caminho não sou o motorista. Para uns pode ser Deus, para outros essa minha mania de criar mágica com as possíveis associações que me acontecem, transformando sempre a vida num filme. Podem ser os anjos, podem ser até a poesia e suas musas. O fato é que: é assim que é.
Até o silêncio desse quarto com o chiadinho do ar-condicionado me embala. Olho mais uma vez ao meu redor, penso em quem já esteve nesse quarto 204, no que já aconteceu por aqui. Não consigo fazer a menor idéia do que realmente pode ter se dado entre essas quatro paredes.
Mas poderia supor que aqui muitas pessoas passaram para visitar seus entes queridos hospitalizados. Aqui é um passo da Beneficência Portuguesa. Mas não sinto aflição no ar. Talvez aqui as pessoas tenham se dado conta que seus adoentados são de fato amados. Talvez tenham se dado conta do que realmente importa.
Quero terminar meus dias com as expressões faciais de sabedoria do ator Morgan Freeman. Ele faz parecer que tudo na vida é tão pequeno para se perder tanta energia. Ele dá a impressão de ver as coisas como um deus bem humorado veria. Talvez por isso tenha sido escalado para fazer o próprio. Curiosamente, checando a grafia do seu nome no Google, acabo de saber que ele foi hospitalizado por causa de acidente. Coincidência de novo... Tantos hospitalizados e eu aqui me sintindo também como se tivesse hospitalizada, me recuperando da minha relação com a escrita.
Talvez precise apenas de repouso e um pouco de paz. De amor também, que é o mais difícil. Sim, artigo raro e que depende de muita sofisticação para que aconteça. Apaixonar, todo mundo se apaixona. Criar dependência emocional, todo mundo cria. Mas é preciso desenvolvimento espiritual e maturidade emocional para ver realmente o ser amado e não se criar projeções. É preciso ter se exercitado na generosidade, e principalmente no desapego. Também é preciso saber-se bem da responsabilidade sobre a emoção e bem estar do outro. Drummond já dizia que amor é sentimento de maduros. E como é poderoso. Sorte quem tem alguém que ame assim do seu lado. É garantia de uma vida estável, cheia de conquistas. Trocaria por qualquer tesouro tudo o que descrevi e que muitos consideram nobreza demais, sonhos fora da realidade. Não acho não. Já vi muito disso em outros países onde a educação faz criar esses valores. Enquanto isso, vou aqui levando a vida com alegrias, conquistas penosas e dor. Muita...não é pouca não. Daí eu me lembro do G. kelly singing dancing in the rain, ou do MJ cantando Smile. Pouca coisa muda, mas fico apenas torcendo que se está assim, é porque o fim do filme não está perto.
Um comentário:
Bela prosa. Feliz 2010 pra ti!
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