segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Francisco de Assis - Paula Wenke

O computador demora a abrir todos os arquivos, programas, atalhos, internetices... E os pensamentos estão jorrando... Se não escritos, vão pro lixo. Vão pro lixo também, se escritos. A diferença é que no segundo caso, o lixo é atirado como bola de canhão no paredão das telas pichadas de um blog. Quem passar por aqui vai ler, assim como transeuntes sempre obrigados a absorver outdoors, tais pichações, e semelhantes. Ha quem diga que o Grafite é das artes mais contemporâneas. Essa minha nova parede também serve pra jogar geleca. E ela vai caindo amolecida, pedindo observância. Quem vai ser o escolhido? Quem vou convidar para a leitura da minha primeira postagem? Quem vai contemplar minhas paredes gelecadas?

Agora esse não é o foco...Essa mania capricorniana de fazer tudo compassado com o futuro me desconecta do presente. Presente? Dizem: "Cavalo dado que não se olha os dentes". Dentes de cavalo? Quem se importa? Só um jóquei preocupado com medalha, achando que cárie é sinal de fraqueza ou de doença premonitória. Nem sei se é isso. Não entendo nada de dentes de cavalo. Tá ...pode ser também uma importante preocupação do marido trilhardário da Mrs. Doda Órfã Onassis. Que sejam felizes sem a minha inveja... Bom, só se cavalga com a posse das pernas eqüinas. De tudo isso, eu só me encanto mesmo com a figura do sagitário que lança a flecha, e têm essas tais pernas eqüinas pra correr atrás da seta que direciona à aventura: Perseguir o alvo.

Carrego muitas referências, filmes vistos, exposições visitadas, jornais lidos, críticas absorvidas, livros deitados na cabeceira ladeando, e estimulando minha curiosidade latente que sucumbe devotada a qualquer estranheza não compreendida... aaaaaaaaaaarhg!
Queria botar tudo isso sim, num disco voador lançado por mim no paredão do espaço, junto com as figuras de linguagem, com a poesia elaborada, com as gags das comédias deleitadas, com tudo aprendido nesses anos todos dedicados à criação.
Invejo profundamente os simples, aqueles não possuem intelectualices pra esconder suas emoções. Queria poder dizer "eu te amo" ao invés de dizer: “Há um sentimento por trás do Danúbio Azul”. Que o Danúbio se danube, que se dane, que se desnude. Que seja o arroz com feijão somente gostoso por ser bem temperado, que a maçã madura seja somente uma fruta suculenta, que a banana amolecida seja apetitosa por ser açucarada pelo efeito do tempo. Que seja o gosto pelo gosto, não pela fantasia do gosto. Que sejam quebrados os vidros, perfuradas as bolhas, detonados os concretos, explodidas as bombas das nossas asmas todas. Que fiquemos sem ar mesmo, porque os brônquios não dão conta da nossa respiração que pede mais vida em abundância e não mais simulacros. E que o abstrato se simplifique a ponto de ser esse, o dito: “Gosto de você”. E que você me responda, talvez mais ou menos que isso, mas no mínimo: “Que bom que você gosta de mim. Não sei se te amo, mas gosto que gostem de mim." É só tudo isso, e nada mais que isso. Enfim...

Ataquei a geladeira. Misturei em cima do pão árabe: azeite português, queijo prato, parmesão, presunto, tomate japonês, cebola, alho em pó, pimenta do reino, calabresa e alecrim. Nunca fui tão feliz. Só. E tão só. Assim.

Deu uma cansada momentânea de pintar o sete, o set, de fazer arte. Deu uma vontade de voar e te fazer feliz nem que seja por um triz de segundo, ou até que seja desse mundo pro universo. Sem versos. Muita prosa, muito beijo na boca e só o perfume das rosas, do orvalho, da madrugada. Mais nada... Ôps! Tudo beleza, porque você sabe, me conhece: dicotomia e poesia, essa dupla é sempre a minha natureza...

Só tenho mesmo coerência quando assumo as minhas contradições.

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